sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A (verdadeira) crise mundial ou a "dieta moral".

O que podemos dizer sobre a crise que se abate sobre o planeta terra? Quebra de bancos, de sigilos bancários, de decoros parlamentares, de acordos, etc, etc, etc. Mas será que a crise não é maior do que ela realmente aparenta ser? Ou então menor do que se desenha em telejornais e resenhas por aí afora?

Na minha opinião não é nem maior e nem menor do que se pinta, ela simplesmente não é a "real" crise, na modesta opinião até cheia de um certo romantismo quixotesco deste que vos fala, vivemos sim uma crise moral, ética, social e principamente criativa, já que, comparado à este problema, a crise financeira mais parece um probleminha secundário.

Pense nas questões a seguir por pelo menos 30 segundos e memorise a resposta mais intuitiva que conseguir sem quebrar muito a cabeça: O que significa pensar, contestar, mudar e compartilhar? E agora a mais bombástica das perguntas da humidade, o que é criar?

Pensou? então se você tiver mais de 30 anos guarde a resposta na cabeça (como aquela professora de matemática da sua tenra e inocente infância lhe sugeria, quando havia uma continha de mais) e eleve ou decline seus pensamentos sobre suas atitudes, sejam elas quais forem, das mais banais as mais "autruistas" sem nenhum preconceito de forma e conteúdo já que a sua vida é problema seu e não meu. Garanto que o grande homem e boleirinho do Brasil Wanderley Luxemburgo não tira tais questionamentos da cabeça e que o nosso Tarsinho da Melissinha sempre tem uma voz dizendo algo para um mundo melhor.

Nós seres humanos nos gabamos de ser extremamente racionais, inteligentes e cheios de convicções em torno da nossa existência, nos consideramos "super-legais" e cheios de boas intenções... será? Não vou terminar dizendo para ninguém rezar 150 "Pai nossos", até porque em termos práticos, não adianta muito e o estoque de orações de nosso Deus todo poderoso deve estar transbordando, mas quero sugerir uma reflexão sem hematomas sobre a questão criatividade.

Ora, a maioria de nós morre de inveja dos grandes gênios, dos caras com muita grana, das pessoas caridosas e daquele pessoal todo na Ilha de Caras, mas será que isso é realmente suficiente? Será que depois de, hipotéticamente falando, após coquistadas todas essas alegrias de plástico poderemos ser realmente criativos e felizes? Ou se utilizarmos (também em uma hipótese) nossas reservas tanto financeiras quanto morais para ajudar a população que necessita "daquela caridadezinha do Brasil" teremos o efeito "dieta moral", para nos sentirmos mais leves perante ao mundo, e o pior, a nós mesmos?

Sinceramente falando a crise é outra, é criativa meu povo. Claro que temos atualmente gente explodindo de ganhar dinheiro com as coisas mais bizarras do mundo, mas este é resultado do quê? Do que mais poderia ser, da bendita criatividade. O mundo está bombado de intenções no mínimo engraçadas como milhões de brindes ecológicos em embalagens plásticas, sacolas de pano cheias e saquinhos também de plástico e outras eco-chatices da geração "écocô", que enchendo o nosso saco hoje está cheia de eco-grana. Não seria melhor esse povo ir à um lixão e ver a vida eco-legal de um catador de lixo, ou mesmo trabalhar um dia lá para realmente fazer uma eco-coisa que preste? Lanço novamente a questão mais de outra forma: Qual foi seu último surto genuínamente criativo? Aí vale tudo: desde a criatividade na cozinha, em aproveitar o seu lixo, mudando o caminho para casa na volta do trabalho, em uma conversa qualquer, em ouvir uma música diferente e até mesmo no banheiro... consegue se lembrar de tal repente criativo? É muito triste pensar que mais da metade da populção mundial tem preguiça de pensar, agir e construir em benefício próprio! Daí se vê na obrigação de "doar" aquela roupa velha e maltrapilha para quem tem "menos" e que vive na sociedade do coitadismo (atentem que não nego que muita gente não tem nem onde cair morto e se morrer não cai, fica escoradinho do Brasil) que é o indivíduo que eternamente precisa da nossa ajuda, seja no farol ou até aquela pessoa que ganha mais que você e nunca tem um puto na carteira. Essa doação é mais um exercício da nossa dita "dieta moral". Pense... nossa criatividade pode ser beeeeeem maior que isso. Podemos e devemos ajudar todos a nossa volta, mas sem escolher muito senão daremos uma voltinha de 360 graus e só ajudaremos o nosso umbigo.

A tal sociedade contemporânea moldada pelas instituições como a escola, família, polícia, política, religião, TV Globo e a Igreja Universal do nosso "querido" Edir parece um grande e cinzento supermercado que contribui para que as nossas perversas crianças (que só são criaças na hora que lhes interessam) em produtos enlatados sem prazo de validade. Produzidos em série com apenas dois sabores totalmente previsíveis, o produto é formado em sua composição por opiniões pré-moldadas e sem qualquer motivação para uma veia criativa, ou seja, um bando pessoinhas que não entendem nem o que escrevem, não sabem fazer rabiola pra pipa mas que entram na internet aos 3 anos de idade e sabem de tudo sem conhecer nada. É a geração Orelha de livro, recodista mundial de ejaculação precoce sem ereção.

Mas por que toda essa reflexão, estes questionamentos que mais parece as mensagens que a Ana Maria Braga diz no fim do seu programa? Seja um pouco criativo e pense à respeito.

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